"MINHA VIDA EM ANOS" - (Ensaio para sempre)

Minha vida em anos. – Ensaio para sempre.
(Por Michel Cutait)
Com 1 ano descobri que no colo dos meus pais nunca sinto frio.
Com 2 perdi o reinado e já não era o único príncipe.
Com 3 anos falava ao ventos todas as sílabas que eu consegui concatenar.
Com 4 completei minha trindade sagrada, meus irmãos que são parte de mim.
Com 5 anos carreguei minha primeira lancheira sozinho sem olhar para trás.
Com 6 corria pela escola como se não acabasse minha energia.
Com 7 anos tudo era brincadeira.
Com 8 ganhei uma bola de futebol.
Com 9 anos ainda corria, corria e só parava quando chegava a noite.
Com 10 ganhei outra bola, só que de tênis.
Com 11 anos meu coração pulsou pela primeira vez.
Com 12 explodiu o calor de um beijo.
Com 13 anos dei meu único soco e levei outro.
Com 14 tudo era esporte.
Com 15 anos dancei valsa, dei baile e ouvi música alta.
Com 16 anos conheci os sentimentos mais puros e ingênuos.
Com 17 explodi de alegria quando descobri a chance de viver sozinho.
Com 18 anos dirigi todos os quilômetros que ainda não consegui alcançar.
Com 19 consegui meu primeiro trabalho.
Com 20 anos senti-me sozinho e percebi que sozinho podia seguir em frente.
Com 21 queria romper meus limites.
Com 22 anos saí pelo mundo, desaforado, livre e esperançoso.
Com 23 tinha toda minha força concentrada no trabalho, suava, sangrava e persistia.
Com 24 anos perdi o brio nos sonhos frustrados.
Com 25 levantei a cabeça com humildade e recomecei a engatinhar.
Com 26 anos ainda não compreendia que o caminho é de pedra, mas não perdia a fé.
Com 27 reagi às minhas limitações com a tenacidade que encontrei em minha alma.
Com 28 anos desfrutei, senti, vivi e descobri que posso ser mais do que eu sou.
Com 29 olhava para o futuro e enxergava ali perto a realização dos meus sonhos de infância.
Com 30 anos completei um ciclo esperado há tantos anos, viajei pelo mundo, comprei minha casa, fiz-me como profissional e me tornei um homem totalmente independente.
Com 31 experimentei a dor da minha própria hiperatividade, e minha saúde não aguentou, mas me fez acertar o ritmo na marra.
Com 32 acreditei que meus sonhos ainda estavam mais longe, larguei tudo e parti para uma aventura comigo mesmo.
Com 33 silenciei na minha própria solidão, e descobri que a vida tem mais sentido perto das pessoas que a gente ama.
Com 34 recomecei mais uma vez e fui presenteado com um amor verdadeiro.
Com 35, hoje, lembro do que passou e reconheço em mim um lutador, fecho os olhos e finco os pés no presente e abro meu coração para acreditar que a vida pode ser ainda melhor.
Com 36 anos descobri que arriscar é bom e que construir é melhor ainda.
Sou o que eu posso ser, vou para onde posso ir, e sinto tudo que me permito sentir.
Agradeço a você, agradeço à minha família, agradeço à minha noiva, agradeço ao mundo, agradeço a Deus, porque pertenço a tudo.

"O ABISMO E A PONTE" - (Ensaio sobre o poder da esperança)

O abismo e a ponte

Por Michel Cutait.


Imagine que você está andando por um caminho sinuoso, difícil, cheio de obstáculos, pelo qual você vem seguindo para alcançar um ponto, um objetivo qualquer, e à medida que você anda, o caminho vai se estreitando e seu ponto de chegada parece ainda mais longe, mas, de repente, você dá mais um passo e fica cara a cara de um imenso abismo, uma daquelas chocantes fissuras geológicas que fazem dois pedaços de terra parecer inimigas. Um abismo.

O que fazer?

Voltar atrás, e retornar pelo caminho que você demorou tanto para superar? Desistir, sentar e chorar porque até o Planeta Terra está contra às suas vontades? Dar um passo adiante, e desmoronar em queda livre pelo precipício e dar fim, enfim, àquela misera circunstância? Reconhecer sua incapacidade de escolher caminhos positivos que lhe levassem para os objetivos que você pretendia, e aceitar que você realmente não tem chance de superar mais este obstáculo?

Bem, um abismo assim é mesmo uma dificuldade extrema, e as soluções acima são uma forma de ilustrar que um abismo é um obstáculo, um impedimento, um fim para os caminhos que você almeja em sua vida. Não há como superar um precipício tão invencível.

Agora, imagine que você está no mesmo caminho, que você passa pelas mesmas dificuldades, e, de repente, diante daquele abismo existe uma ponte, uma ponte suspensa, aparentemente frágil, que não inspira muita segurança, mas que permite que você alcance o outro lado do precipício. Essa ponte parece uma solução muito feliz e adequada para atravessar um abismo, não parece? E você segue em frente, passo a passo, devagar e sempre, mas sem desistir, sem ter que voltar atrás, mais confiante de que os seus objetivos podem estar logo a frente, que você ainda tem chances de alcançar o fim daquele caminho tão desafiador.

Essa é exatamente a diferença entre a expectativa e a esperança. A expectativa é como um abismo diante de você, enquanto a esperança é a ponte que leva você a seguir em seu caminho até alcançar seus objetivos.

A expectativa é aquele sentimento que nasce dos objetivos extremamente bem definidos, pontos certos no futuro de quem os planejou, e que exclui a possibilidade de que qualquer outro objetivo seja tão bom ou tão perfeito como aquele. A expectativa é um abismo, porque se você não conseguir superá-lo toda a sua energia, todas as suas ações, tudo que você fez até alcançar aquele ponto desmorona em forma de decepção, de frustração e de sentimentos de impotência, fraqueza e incapacidade.

Diante do abismo de uma expectativa frustrada, você e qualquer um de nós, todos somos tão fracos e tão incapazes de superar esse obstáculo que dá a impressão de que nada pode ser uma solução para isso.

Esse é o problema da expectativa, porque se você não alcançar aquele ponto, aquele objetivo, aquela meta específica, qualquer outro resultado lhe parecerá um fracasso, pois, afinal, será diferente daquilo que você esperava e desejava. E isso não acontece na esperança.

A esperança é aquele sentimento que nasce da crença íntima, daquela convicção de que o caminho da vida sempre mostra novas saídas, daquela determinação interna e pessoal que faz você seguir em frente, apesar das dificuldades, mas acreditando que se você ainda não alcançou aquele objetivo que você pretendia significa que você deve insistir mais um pouco, que você pode tentar novos caminhos, mas que, custe o que custar, você não vai desistir, não vai se sentir frustrado nem vai desmoronar diante daquela situação contrária àquilo que você desejava.

A esperança é a ponte que leva você a superar um objetivo frustrado, para levá-lo adiante, porque a esperança, ao contrario da expectativa, permite que você reconheça a sua capacidade, o seu poder e a sua força interna de não desistir dos seus objetivos, de encarar uma dificuldade extrema como mais uma etapa daquele caminho que você se comprometeu a perseguir, e mais que isso, a esperança lhe traz de volta a motivação necessária para fazer você seguir convicto nos seus planos ou permitir que você reconheça que é hora de planejar novos caminhos.

Não é a toa que o provérbio popular diz que a “esperança é a última que morre”, porque a esperança não é um objetivo, não é um fim em si mesma, a esperança é o poder, a força a capacidade que faz você seguir em frente, acreditando nos seus objetivos e permitindo que seus caminhos levem você à experiências maravilhosas, experiências de vida que serão sua própria história.

Se você tiver um objetivo, uma meta ou um sonho, siga em frente, acredite nisso, e faça tudo que for necessário para alcançá-lo, mas, se de repente, por qualquer motivo ou circunstância, surgir em sua frente um abismo, olhe bem, sinta profundamente em seu coração, e descubra sua esperança, perceba que o caminho não acaba naquele ponto, que você ainda tem muitas outras chances, que existe uma ponte de recursos, qualidades e possibilidades que lhe ajudarão a superar aquele obstáculo, e que vão lhe trazer novas chances e um futuro ainda melhor.

PRIORIDADES (Ensaio sobre como retomar aquilo que é importante!)

Prioridades.
(Por Michel Cutait)


Não encontrei uma forma melhor e mais direta de manifestar minha preocupação sobre um fenômeno social e coletivo que está se instalando entre todas as pessoas, seja no ambiente do trabalho, seja no ambiente familiar, e, de uma maneira ainda mais cruel, no ambiente íntimo, pessoal, naquele espaço único que cada um pode chamar de “eu”.

Prioridades.

Essa palavra traz em si mesma a resposta do que significa, que é aquilo que vem primeiro, aquilo que prefere a todas as outras coisas.

Existe uma crise séria de prioridades entre as pessoas, e ninguém mais está conseguindo perceber e enxergar aquilo que deve vir primeiro, aquilo que é mais importante, aquilo que deve preferir às outras coisas.

Há um conflito silencioso, torpe, ardiloso que ronda a todas as pessoas, que é o conflito entre aquilo que importa e aquilo que não importa, basicamente, o conflito entre preferir o importante em detrimento daquilo que não tem significado ou que tem, mas cujo significado é menos relevante do que aquilo que é prioritário.

Há pais que priorizam seus trabalhos ao invés de sua família.

Há filhos que fazem tudo para agradar um amigo, e maltratam os próprios pais.

Há esposas que priorizam a vida dos outros, ao invés de dar valor para a própria vida.

Há maridos que preferem a vida de solteiro, ao invés de preferir a vida de casado.

Há chefes que priorizam o consultor, ao invés de preferir seu próprio empregado.

Há empregados que priorizam os que saíram do que aqueles que ficaram junto dele.

Há amigos que preferem os amigos que estão no celular em algum lugar do mundo do que aproveitar aqueles amigos que estão ao lado.

Há irmãos que preferem ajudar ao vizinho do que ajudar ao próprio sangue.

Há vizinhos que ajudam as vítimas de uma catástrofe do outro lado do mundo ao invés de ajudar ao próximo vizinho.

Há empresas que preferem os clientes que não tem, do que priorizar os clientes fiéis e cativos.

Há um conflito de prioridades tão cruel e terrível, que endêmico e generalizado, toma conta de nós mesmos, e nos conduzem à inversão de tudo que é importante, prioritário e relevante.

Com absoluta certeza, tanto você como eu, e todos nós, já estivemos diante desses conflitos, e mal percebemos aquilo que estamos fazendo com nossas vidas. E só para ser solidário, agora, aqui, escrevendo estou dando prioridade a um texto que, possivelmente não terá importância alguma, enquanto poderia estar trabalhando.

Mas, o pior e mais sofrível das crises de prioridades, é a o conflito entre o “eu” e o “outro”.

Quando você desloca seus sentimentos para o outro, como se o outro fosse capaz de lhe fazer melhor ou mais importante do que você já é, a bussola da sua prioridade está certamente virada ao avesso. Quando você dá mais atenção aos problemas do outro, ao invés de tentar resolver os seus próprios problemas, há uma crise profunda de prioridades em sua consciência. Quando você faz para o outro aquilo que deixou de fazer para si mesmo, e ainda espera que o outro reconheça aquilo que você mesmo deveria reconhecer em si próprio, há uma inversão e ilógica de prioridades. Quando você espera do outro as respostas para suas próprias dúvidas, ao invés de descobrir suas próprias certezas, fatalmente, suas dúvidas ficarão ainda maiores.

Então, se há algo que todos nós, cada um de nós, possa fazer em benefício daquilo que é prioritário, comece agora.

Se você for pai, pare de trabalhar por um instante e vá ver seu filho que está sozinho no quarto brincando com um video-game por falta da sua companhia.

Se você for filho, antes de maltratar seus próprios pais, reconheça neles as pessoas que mais querem o seu bem, e trate-os bem.

Se você for esposa, veja a quantidade de coisas valiosas e especiais na sua vida, coisas que ninguém mais do que você poderá usufruir.

Se você for marido, olhe para seu casamento, e perceba que você encontrou tudo aquilo que você perseguia quando era solteiro.

Se você for chefe, pague mais para o seu empregado, capacite ele para que ele se torne um profissional melhor, e certamente você não precisará de consultores.

Se você for empregado, perceba que quem está de fora, deixou mais oportunidades para quem está dentro, então, aproveite essas oportunidades para o bem da sua empresa, e, obviamente, para seu próprio bem.

Se você está com seus amigos agora, largue esse aparelho, olhe nos olhos das pessoas que estão prestigiando você, e ria com elas as histórias que vocês experimentaram juntas.

Se você tiver irmãos, pergunte para ele se ele precisa da sua ajuda, e se precisar, seja tão generoso quanto você tem sido com seu vizinho ou mesmo com seu melhor amigo.

Se você está pensando no bem da humanidade, e se comove com as vítimas da catástrofe de um lugar qualquer, preste um pouco só de atenção, e veja que na rua da sua casa, no seu bairro, na sua cidade há diversas pessoas precisando da sua comoção, e mais que isso da sua ajuda, pois certamente, de você ajudar o seu próximo, logo algum próximo ajudará aquela vítima lá longe.

Se você for um executivo de empresa, não esqueça que seu melhor ativo são seus clientes, não aqueles que você ainda não tem, mas aqueles que, anos após anos, prestigia o seu produto, e esses clientes merecem ainda mais atenção do que aqueles que você ainda não conquistou, mesmo porque, se você não fizer isso, logo haverá outro como você, que conquistará seu cliente para ficar para ele.

E se você puder olhar por um instante para dentro de si mesmo, para o seu redor, para a sua vida, e fizer isso com olhos sinceros, generosos e atentos, verá que tudo que você fez e faz na sua vida é melhor do que qualquer outra pessoa poderia fazer por você, e mais que isso, que todo o reconhecimento que você precisa é o reconhecimento próprio, de você para você, para aceitar suas limitações, dar valor para suas conquistas e perceber que suas virtudes são infinitas, e estão disponíveis a todo momento para favorecer a você mesmo.

"AJUSTANDO O VOLUME" (Ensaio sobre a comunicação entre as pessoas)


Ajustando o volume.

(Por Michel Cutait)


Sabe quando você está ouvindo uma música mas o som parece muito alto, a ponto de incomodar os seus ouvidos? Você corre para abaixar o volume. Há também aquelas vezes que você está querendo ouvir mais alto e então você aumenta o volume para aproveitar toda a vibração que a música lhe traz.


Esse é o mesmo problema quando as pessoas se comunicam. Às vezes as pessoas estão falando muito alto, outras estão falando muito baixo. Não se trata do volume em si, em decibéis, mas sim da intensidade que a música, que o discurso chega ao seu ouvido.


Em outras palavras, por exemplo, quando alguém está apaixonado, a tendência é que essa pessoa “grite” seu amor para a outra pessoa, mas pode ser que a outra pessoa não esteja preparada, não queira ou não goste da intensidade do som dessa paixão, pode ser que ela preferisse o som da amizade ou da diversão.


Por outras vezes, você está falando tão “baixo”, exprimindo seus sentimentos de amizade ou diversão, enquanto a outra pessoa esperava, queria e gostaria muito que você gritasse tão alto quanto pudesse que o que você tem é paixão ou amor.


Se você ficar atento, seja no papel de quem “fala”, seja no papel de quem “ouve”, a comunicação das pessoas depende da sintonia entre elas, depende da intensidade do volume ser agradável para uma mas também para a outra pessoa.


A comunicação não acontece de uma maneira positiva quando o volume é alto demais ou quando é tão baixo que não se pode ouvir a “música”.


Para saber se o volume está adequado e se a música está fazendo bem para a outra pessoa, ou, pelo contrário, se está afastando quem você quer manter um relacionamento, o mais importante é perceber qual o resultado da sua comunicação, pois é o resultado, e não suas intenções, que vai lhe mostrar se o interesse, se o “ibope” da sua musica está alcançando os objetivos que você pretende.


Quando alguém diz que você precisar ir com calma, que está cedo, que vocês têm que se conhecer melhor, enfim, todas aquelas frases que todo mundo já ouviu um dia, o melhor a fazer é compreender que seu “volume” está muito alto. A música pode ser boa, mas se a intensidade do som dos seus sentimentos não agrada o ouvido da outra pessoa, então abaixe o volume, abaixe para que a outra pessoa possa lhe ouvir melhor.


Mas só abaixe o volume se você quiser muito se relacionar com aquela pessoa, porque se você quiser vivenciar uma paixão mais intensa, se o que você quer é curtir um amor mais fremente com um volume mais alto, então pode ser que você tenha que cantar sua música para um outro alguém.


E se você está falando muito baixo a ponto da outra pessoa dizer coisas como: “não sei se você gosta de mim” ou “você não demonstra seus sentimentos”, enfim, essas pequenas clemências de amor, então pode ser que a outra pessoa queira mesmo era viver um relacionamento de paixão ou de amor, algo intenso, mais forte que uma amizade ou uma diversão.


Isso também se aplica para a outra pessoa que está ouvindo, porque se ela queria curtir uma música mais alta, mas a outra pessoa está cantando baixinho, isso deve ser um indício provável de que esta pessoa está interessada numa música mais leve, e não na intensidade que você está desejando.


Saiba que é fácil perceber se uma música está alta ou baixa para a outra pessoa, e também para você mesmo, basta perceber se o “ibope” tem sido positivo, se a pessoa corre com você para dançar, se a pessoa se entrega àquele sentimento, ou se ela se afasta e pede para você abaixar o volume do som.


Se sua música é de amor, de paixão, de amizade ou de diversão, sempre haverá uma audiência esperando ansiosa para curtir o som na altura, no volume e na intensidade que você desejar cantar.


Mas não deixe de cantar, não deixe de expressar e manifestar seus sentimentos, apenas fique atento no volume, e abaixe ou aumente um pouco o som, ajuste a sintonia e aproveite para curtir a música no seu coração, porque sua música não pode e não precisa parar.

QUER PAGAR QUANTO? (Ensaio sobre o preço das nossas escolhas)

Quer pagar quanto?

(Por Michel Cutait)


O título pode sugerir uma propaganda de eletrodoméstico, mas não se engane, ele só tem sentido porque esta é uma pergunta crucial para entendermos as contingências das nossas opções e das escolhas que fazemos em nossas vidas e que repercutem diretamente nas circunstâncias em que vivemos.


Não é complicado percebermos que nossas decisões acarretam num preço, mas compreendermos esta relação de causa e efeito, bem como aceitarmos nossas contingências e os riscos que delas decorrem parece ser algo etéreo, utópico e idealista. E é para isso que serve a pergunta do título. Uma pergunta pessoal, íntima, individual: Quer pagar quanto?


Quer pagar quanto por um amor rebelde e incontrolável? Quer pagar quanto por uma vida independente e livre? Quer pagar quanto por arriscar todas suas fichas e seu dinheiro num negócio inseguro e imprevisível? Quer pagar quanto por ofender, desrespeitar e humilhar os outros? Quer pagar quanto por escolher a solidão? Quer pagar quanto para conseguir tudo que a vida oferece de bom? Quer pagar quanto por uma vida tranqüila, calma e prazerosa? As perguntas não parecem terminar, porque nossas vontades e nossos objetivos são proporcionalmente imensos se considerarmos esta relação de causa e efeito.


A idéia destas perguntas não é o próprio questionamento em si, mas sim o despertar crítico e consciente das suas respostas. Ou melhor, das nossas próprias respostas.


A compreensão e consciência da nossa realidade e das nossas circunstâncias são libertadoras porque nos revelam uma clareza, uma justeza e uma natural percepção de que nossa vida é feita de uma série de atos, escolhas e decisões que repercutem outras tantas conseqüências possíveis e infindáveis.


A tentativa e o erro (e por que não o acerto) parecem ser um bom expediente (ou instrumento) para sabermos se uma empreitada ou outra podem causar determinada conseqüência, porque aprendemos com o erro e por mais clichê que isso pareça, o fato é que o ser humano por uma série de fenômenos físicos e químicos aprende que certas tentativas geram certos resultados, alguns acertos e muitos erros também, e que em nossas estatísticas íntimas, conscientes, instintivas ou inconscientes acabamos descobrindo que agir de uma forma pode ser melhor do que outra.


Mas esse não é o foco principal da pergunta, porque ela busca a resposta que precisamos descobrir para compreendermos um pouco das nossas tristezas, das nossas decepções, das nossas frustrações e das nossas angústias, ela busca a compreensão das conseqüências da relação da causa e efeito.


Muitas das nossas opções e das nossas escolhas têm sido dificílimas porque já não nos contentamos com tão pouco. Por exemplo, já não basta um amor, precisa ser um amor completo, com o calor da paixão, a segurança da estabilidade, o prazer da alegria, a facilidade do natural e espontâneo, o entusiasmo da juventude, a emoção das tormentas, a leveza do sorriso, tem que ser um amor que nos torne pessoas melhores, não é?


E se optamos por encontrar um amor assim, nossas chances ficam cada vez menores porque as exigências que fazemos, o funil das nossas preferências e o preço das nossas conveniências têm nos trazido conseqüências caras, e a maior delas, nesse caso, parece ser a solidão.


Quer pagar quanto por tanta exigência? A solidão é um preço bem provável. A solidão do quarto silencioso, do abismo que ecoa em seu coração, da lágrima sôfrega que inunda o travesseiro, a solidão da certeza de que faríamos alguém feliz, da suplica esperançosa por nos fazerem mais felizes ainda, enfim... a solidão de quem escolhe, prefere e opta por viver um amor de verdade, custe o preço que for.


E não é um preço fácil, não mesmo. A solidão que sentimos enquanto não encontramos alguém que nos desperte um amor tão completo é o preço da nossa decisão de viver um amor assim.


O primeiro passo depois da pergunta é reconhecer, aceitar e compreender que nossas opções e nossas decisões têm seus preços, que pagaremos inexoravelmente, mais cedo ou mais tarde, porque tudo é causa e toda a causa gera um efeito.


Mas não nos basta a compreensão do preço que temos que pagar por nossas escolhas, ainda assim temos a oportunidade de reconhecermos que se tomarmos decisões flexíveis, se agirmos com parcimônia, se abrirmos mão de todas as qualidades que engessamos no ideal do amor que nem encontramos ainda, se formos menos exigentes, ou menos arriscados, ou menos impetuosos, então teremos conseqüências menos custosas, e o preço a pagar não será tão alto assim.


Tudo não passa das escolhas que fazemos em nossas vidas, mas se preferimos isto ou aquilo estejamos preparados para o preço que teremos que arcar, e se estivermos conscientes e bem esclarecidos quando tivermos que pagar esse preço, então o sofrimento deve diminuir, não porque a dor e o sofrimento da perda, do erro, da tentativa frustrada ou das conseqüências não sejam difíceis, porque são (e só cada um de nós sabe como é a intensidade da nossa dor), mas principalmente porque poderemos aceitar, assumir e reconhecer que a mesma liberdade que nos permite escolher é que nos faz pagar os preços das nossas decisões.


E o melhor de tudo: conseguiremos descobrir que ser livre para escolher, para arriscar, para tentar e para acertar não tem preço que não possamos pagar!

SOMOS DE QUERATINA (Ensaio sobre como podemos nos recuperar dos infortúnios da vida)

Somos de queratina!

(Por Michel Cutait)


A natureza tem soluções incríveis para resolver problemas e permitir a evolução, o crescimento e a liberdade dos seres vivos. Essas soluções podem servir de lição e de exemplo para todos nós. Uma delas é o fenômeno dos artrópodes. Ou melhor, o fenômeno do crescimento dos artrópodes.


Há diversas espécies de artrópodes, entre lagostas, camarões, insetos, e uma infinidade de outros. Mas o que interessa nesta metáfora é o processo de crescimento desses animais, porque pode nos revelar uma compreensiva solução para muitas das nossas situações que exigem nossa força, nossa coragem e nossa vontade de dar a volta por cima, de recomeçar, de levantar dos tombos da vida e de voltar a sermos livres.


Aí que entra o fenômeno do crescimento dos artrópodes. Eles desenvolveram um mecanismo muito interessante para solucionar o problema do crescimento. Esses animais são protegidos por um esqueleto externo (exoesqueleto) que os envolve como uma poderosa armadura. Uma armadura feita, principalmente, de queratina e quitina, que são substâncias muito resistentes, rígidas e duras. Mas como os artrópodes fazem para crescer e romper essa “armadura” de queratina?


Para conseguirem crescer, esses animais passam por um processo de transformação que consiste num grande esforço para reduzirem sua massa corpórea, diminuírem de tamanho interno, voltarem a sim mesmos, economizarem energia, e começarem a desenvolver uma nova camada dessa “armadura”. Neste ponto, a nova casca é interna e ainda é muito mole e desprotegida, mas isso permite que o animal tenha amplitude para crescer e se desenvolver, até que, em determinado momento, ele rompe a casca antiga, vencida, sofrida e desgastada e abandona sua “armadura”.


Livre do esqueleto antigo, ele passa viver com sua nova casca que não lhe oferece tanta proteção porque ainda está frágil e em processo de consolidação, mas, passado certo tempo (que, nos artrópodes, costuma ser breve), a nova casca está maior, mais resistente e mais poderosa que a antiga. Enfim... o animal consegue crescer e se tornar melhor, mais preparado, protegido e mais forte para enfrentar as adversidades da sua vida.


Nós somos assim também, nós também somos de queratina!


Quem de nós nunca enfrentou uma situação de perda, de desfalque, de sucumbência? Quando perdemos um grande amor e ficamos com o coração rendido, órfão e desconsolado? Quando investimos nossa dedicação, nosso amor e nosso tempo na vida de outra pessoa e ela não nos corresponde? Quando somos enganados, trocados, traídos, humilhados? Quando nosso projeto de vida se esmorece pela tormentosa e imprevisível ocorrência de fatos negativos? Tantas situações são possíveis para nos derrotar, que precisamos estar preparados, prontos e conscientes de que somos capazes de recomeçar, de lutar e de voltar a sermos livres e fortes.


Nessas situações, tudo que seja possível fazer para crescermos, retomarmos as rédeas da nossa vida, superarmos nossos obstáculos e sermos pessoas melhores, mais fortes e mais preparadas para enfrentar o que vier pela frente será muito importante para continuarmos íntegros, ilesos ou continuarmos firmes. Então lembremos do crescimento dos artrópodes.


Por exemplo, quando somos enganados, traídos, abandonados pela pessoa que investimos nosso amor, por quem fizemos juras de fidelidade e com quem sonhamos compartilhar nossa vida, imitar os artrópodes pode ser uma solução muito libertadora, segura e eficiente.


Então, sejamos tolerantes, indulgentes, parcimoniosos e humildes com nossa perda e deixemos nosso coração se recuperar, voltemos a nós mesmos, deixemos o tempo desdizer o passado, juntemos todas nossas forças, economizemos energia e lutemos para voltar a crescer.


Às vezes, precisamos diminuir de tamanho para sermos capazes de voltar a crescer, às vezes precisamos dar um tempo para nosso coração conseguir se recuperar, às vezes precisamos aceitar nossas perdas e reorganizar nossas íntimas vontades para podermos nos tornar pessoas mais fortes, mais vigorosas, mais resistentes e mais preparadas para a vida, exatamente como os artrópodes.


Pode ser que esse processo leve um mês, pode ser que leve seis meses ou mais que um ano, cada um de nós tem seu próprio tempo de recuperação, mas se nos permitimos a isso e reconhecermos em nós mesmos que temos todos os recursos necessários para superarmos todas as adversidades, seja no amor, seja no trabalho, seja na vida, certamente, teremos uma chance de conseguir trocar a “armadura” do nosso coração e voltarmos a ser felizes, realizados, capazes e vitoriosos.


E com um coração maior e mais resistente, poderemos aproveitar as novas oportunidades, desfrutar incríveis descobertas, viver nossa inexorável liberdade de tentar novamente, de tentar de uma forma diferente, e poderemos aprender que também somos de queratina, e que não há nada nessa vida que não nos faça capazes de superar, de crescer e de sermos cada vez melhores.

AS QUATRO FORMAS DE AMAR (Ensaio sobre os tipos de relacionamento)

As quatro formas de amar

(Por Michel Cutait)


Sempre nos perguntamos que amor é este que vivemos, que experimentamos e nos acabamos, mas será que conseguimos abstrair dessa enxurrada de sentimentos alguma razão que nos faça mais conscientes para compreender o que passa entre nós e a pessoa que amamos?


Se pudéssemos sintetizar as formas de amar, conseguiremos identificar quais as características do nosso próprio amor e saberemos como reagir às conseqüências e às dificuldades que sempre nos deparamos em nossos relacionamentos.


São quatro as formas de amar, cada uma com características muito marcantes.


Há o amor ideal, aquele amor que é um encontro, o amor das almas gêmeas, o amor gratuito, espontâneo, natural, automático, incondicional e livre, o amor que todos queríamos sentir e viver, o amor dos casais que são companheiros, amantes, amigos e confidentes, o amor de quem une as mãos simultaneamente e juntos namoram, trabalham, amam, dividem, compartilham e se completam. Claro que todas as outras formas de amar têm muitas dessas características porque o amor pretende ser completo, mas o amor ideal não tem dúvidas, não tem indecisão, não tem “não” nem hesitação. É o amor mais difícil de encontrar e o que sempre estamos a procurar.


Outro é o amor Tom e Jerry. Pode parecer uma analogia engraçada, mas esta forma de amar é muito comum e sempre se transforma numa armadilha difícil de escapar. Como no desenho, o casal “Tom e Jerry” vive a se provocar, a brigar e a discutir. Se um fala “a” o outro fala “b”, se fala “b” então o outro fala “a”, só para contrariar, para tentar convencer o outro de que a sua razão é mais apropriada e verdadeira. É um eterno “braço-de-ferro”.

No desenho, alguém já viu o Tom vencendo o Jerry ou vice-versa? Não, porque a relação não tem vencedor e o verdadeiro estímulo e vínculo que unem os dois é a contrariedade, a briga e a expectativa insana de que vamos conseguir fazer o outro sucumbir. É uma forma perigosa de amar, porque a angústia é inevitável, o desrespeito é bem provável e o desgaste é irreconciliável. É uma armadilha porque a briga se torna um pretexto, se torna a razão daquela união. Verdade que há um pouco de excitante em tudo isso, mas no final das contas, sobra tristeza, insatisfação e ressentimento.


Não há solução? Pode haver. Basta que um dos dois compreenda que aquele amor é assim e que aceitando não haverá mais o que discutir. Portanto, não discuta, não conteste, não revide, não contrarie. Aceite, ainda que isso represente tão somente uma declaração de vontade, ainda que você tenha de dissimular, ainda que você precise fingir, porque o amor “Tom e Jerry” não resiste ao consenso. Assim, o círculo vicioso que se formou perde o vigor e a relação pode ser mais confortável, mais progressiva e mais feliz.


As outras duas formas de amar são as mais comuns.


Tudo se baseia na lei de mercado da oferta e procura, porém com outra conotação.


Há aquele amor em que o homem ama mais que a mulher e há aquele em que a mulher ama mais que o homem.


No amor, como na oferta e procura, quem ama mais paga mais. Quer dizer, aquele que numa relação amorosa tiver mais amor irá sucumbir mais facilmente que o outro. Quem ama mais, tolera mais, cede mais, aceita mais, releva mais, procura mais, sofre mais e quer mais.


Nada de errado, mas é preciso saber o quanto amamos e o quanto somos amados para compreendermos que nas situações difíceis, naqueles momentos cruciais de decisões, nas brigas, nos rumos do futuro, nos consensos e nos perdões, aquele que ama mais, por causa disso, acaba sucumbindo à vontade do outro, não exatamente por causa da vontade do outro, mas porque aquele amor representa tanto em sua vida que ceder não é um sacrifício tão grande.


Nada há de errado em amar mais que o outro; basta que estejamos conscientes disso porque assim a angústia da tolerância, a discórdia da sucumbência e a humilhação da subserviência não serão os sentimentos que habitam nossos corações, mas sim o amor livre de quem ama por si mesmo e porque assim escolheu amar.


A consciência sobre a forma dos nossos relacionamentos nos traz a liberdade e a independência para aceitarmos, compreendermos e aproveitarmos a vida que compartilhamos com a outra pessoa, sabendo que tudo não passa da escolha que nos faça mais felizes e realizados.

A MÃO E A BORBOLETA (Ensaio sobre o poder de conduzir nossa própria vida!)


“A mão e a borboleta”


(Por Michel Cutait)

Um dia ouvi dizer sobre uma história muito bonita sobre uma menina e uma borboleta. Não sei quem inventou a história, e por isso, deixarei o crédito da autoria à minha admiração que traduzo neste ensaio.

Diz a história, que um homem muito poderoso tinha uma filha muito esperta, ainda nova, mas muito curiosa sobre as coisas do mundo. Ele, preocupado com a educação da menina, soube que havia um mestre, um tipo de sábio vivendo no alto de uma montanha e resolveu levar sua filha para estudar e aprender com o sábio tudo que ele pudesse lhe ensinar.

A menina foi e desde o primeiro dia que chegou começou a perguntar ao sábio tudo que sua curiosidade mandava. “Sábio, o que é isso?” E o sábio respondia. “Sábio o que significa aquilo?” E o sábio explicava. E assim passaram os dias. Mas a menina estava ficando muito incomodada com as certezas do sábio e quando viu uma borboletinha voando sobre o jardim, teve uma idéia: “Vou segurar essa borboleta dentro da minha mão, e vou perguntar para o sábio se ela está viva ou está morta. Se ele disser que está viva eu a esmago com minhas mãos e ela morre, se ele disser que está morta, eu a solto e ela sai voando!” E foi ter com o sábio.

“Sábio, tenho uma borboleta dentro da minha mão, ela está viva ou está morta?”. O sábio olhando profundamente em seus olhos, e com ar complacente, respondeu: “Depende de você, ela está na sua mão”.

Pode ser que essa história tenha vários significados, mas, um deles me faz pensar sobre uma questão muito importante em nossas vidas, sobre o poder das nossas escolhas, sobre o poder de decidir sobre os caminhos que queremos seguir na vida.

Diante da vida, podemos escolher ser uma borboletinha, e ficar nas mãos das pessoas, dependendo do arbítrio delas, dependendo das escolhas dos outros, e deixando que a decisão de “viver ou morrer” permaneça na mão dos outros e das nossas desculpas. Podemos deixar que a nossa própria vida seja determinada e decidida pela vontade do outro, e assim, permaneceremos como uma borboletinha fraca e oprimida.

Mas também, se quisermos, podemos nos tornar a mão que conduz nossa própria vida, podemos ser as pessoas responsáveis por nosso destino, podemos ser os donos das nossas escolhas, enfim, podemos abandonar a postura passiva e dependente para elevar nossa vontade e nossas decisões como as únicas maneiras positivas de conquistarmos os objetivos que traçarmos em nossas vidas.

Parece tudo muito simples na teoria, mas se prestarmos um pouco de atenção, perceberemos que por inúmeras vezes nos tornamos borboletinhas nas mãos das outras pessoas e das dificuldades.

Não é raro ouvirmos alguém dizer: “Ele não me faz feliz”, ou “Eu dei meu amor para ela e agora perdi tudo que tenho”, ou “Não consigo fazer porque não tenho tempo”, ou “Fracassei porque as circunstâncias não eram favoráveis”, ou quais forem as infinitas desculpas, subterfúgios e motivos que nossa imaginação for capaz de inventar para justificarmos as conseqüências das nossas próprias escolhas.

Todas as vezes que deixamos ao outro, ao tempo, às circunstâncias, ou a qualquer outro bode expiatório das nossas desculpas, a responsabilidade das conseqüências das nossas escolhas na vida, todas essas vezes estamos nos transformamos em borboletinhas nas mãos dos outros ou da nossa própria mediocridade.

É muito mais fácil dizer que a responsabilidade das nossas escolhas é do outro do que admitir que agimos mal, que exageremos no ritmo, que escolhemos precipitadamente, que fomos ansiosos, que não planejamos bem, que arriscamos demais, que pela razão que for, pela desculpa que for, que não temos responsabilidade sobre nossos atos.

E cada vez que fazemos isso, continuamos uma borboletinha em nossa própria vida, refém das nossas inúmeras desculpas, prisioneiros da nossa consciência resignada e vítimas de nossas próprias escolhas. Esse é um caminho a seguir, se é isso que nos conforta o coração.

Mas há outro caminho, há o caminho que nos torna pessoas mais fortes, mais convictas, mais seguras, mais firmes e mais capazes.

Abandonar a postura da borboletinha para assumir uma outra posição realmente nos traz e nos faz retomar algo que é essencial para desfrutar de todas nossas possibilidades, que é o nosso poder.

O poder de sermos os responsáveis por nossas escolhas. O poder de doar e oferecer nosso amor e nosso carinho a quem quer que seja de maneira livre e espontânea, sem querer nada em troca, dar pelo simples fato de dar, dar pela maravilhosa experiência que é compartilhar com alguém os incríveis sentimentos que temos em nosso coração. O poder de aceitar que às vezes escolhemos mal. O poder de não admitir que alguém nos transforme naquilo que não somos. O poder de não aceitar pagar os preços mais sórdidos e mesquinhos pelas coisas mais insignificantes. O poder de dizer “não”, e dizendo “não” sermos capazes de nos manter íntegros em nossas convicções e crenças. O poder de nos transformar na mão que conduz nosso próprio destino, na mão que nos carrega e nos faz lutar por nossos objetivos e sonhos.

Não pretendo fazer qualquer julgamento sobre o caminho que cada um de nós resolveu seguir, porque todo caminho é um caminho possível, e cada caminho tem seus próprios preços, suas próprias conquistas e suas peculiaridades, mas por um momento, se quisermos, podemos deixar de viver à sombra de nossa própria mediocridade, fraqueza e omissão, e podemos, porque temos esse poder, podemos assumir nossa vida e nossas escolhas com nossas mãos, com toda nossa força, coragem, determinação e plenitude, de uma maneira firme, independente, consciente e absolutamente segura de que, seja o caminho que for, continuaremos donos e responsáveis por nossas chances e oportunidades, e que nossos sonhos não serão um objetivo inalcançável, mas serão sempre uma possibilidade e uma esperança.

O HOMEM E O MARTELO (Ensaio sobre o erro)

"O homem e o martelo".

(Por Michel Cutait).


O erro sempre é um problema para as pessoas. O que não faltam são conselhos para tentar decifrar, esclarecer, justificar e desculpar seus motivos. Há gente pronta, em qualquer lugar, para explicar suas razões e há infinitas maneiras de descobrirmos, por nós mesmos, que somos capazes de errar.


Portanto, não há como evitar o erro, mas há como compreender que o erro nem sempre é uma fatalidade, e mais, que podemos - se quisermos – transformar o erro em possibilidades.


A história do homem e do martelo pode ajudar a mudarmos nossos comportamentos para obtermos diferentes resultados em nossas vidas. E o melhor, é baseada numa história real.


Em certo dia, num lugar qualquer, encontrei um homem que estava tentando, a muito custo, quebrar uma lajota do chão ou um tipo de piso de concreto qualquer.


Ele fazia tanta força e sacrifício, quanto eram sofridas suas mãos e como eram torrenciais suas gotas de suor.


E batia e batia e batia no chão com um martelo e um picão, um tipo de ferramenta de ferro usada para quebrar pedra, parecido com um prego só que maior, e continuava batendo e batendo, embaixo de um sol escaldante.


Mas o pobre homem não conseguia êxito na sua empreitada, porque apesar de todo o esforço que ele fazia, o piso parecia nem sentir e continuava intocável e inteiro.


Chegando perto, notei que ao lado dele, jogada no chão, tinha uma picareta, uma ferramenta bem maior e mais robusta, feita de um cabo de madeira com duas pontas de ferro, parecida com o formato de um “T”, enfim, uma picadeira como costumamos ver nas construções.


Aproximei-me do homem, cumprimentei, e intrometido, apontando para a picareta, perguntei a ele: “O Sr. não acha que com aquela picadeira é mais fácil?”


Ele parou com o trabalho que fazia, secou o suor da testa, olhou para a ferramenta e bradou: “Sim, com a picadeira é mais fácil...” – e sem hesitar por um instante, desferiu outra martelada e concluiu: “Mas assim está difícil!”.


Essa história é tão simples como é recorrente em nossas vidas.


Nem sempre é fácil e rápido percebermos que estamos agindo mal, ou que estamos nos esforçando demais para um resultado pequeno, ou que, simplesmente, não estamos atentos em avaliar que podemos mudar nossas ações e nossos comportamentos, se queremos buscar outros resultados.


Por causa disso, normalmente, achamos que estamos errando, mas, praticamente, em todas essas vezes nossos erros não são simplesmente erros, são apenas ações equivocadas, reticentes, repetitivas e inadequadas.


Atingir os resultados e os objetivos que planejamos e desejamos pode ser uma tarefa difícil e penosa, mas nós podemos agir de várias formas para amenizar as dificuldades e impedir que nossos erros pareçam (e sejam) nossos maiores obstáculos.


Primeiro, podemos assumir que os erros não existem, mas sim que existem resultados, nem certos nem errados, tão somente resultados.


O que fazemos, da forma, do jeito, naquele momento ou naquela circunstancia não é um erro, é simplesmente uma ação concreta.


O erro não existe na ação, o erro só aparece no resultado da ação, ou melhor, o erro é o descompasso entre a ação que praticamos e o resultado que pretendíamos obter com aquela ação.


Não somos capazes de saber se o que estamos fazendo será ou não um erro ou uma atitude errada, o que podemos saber é que o que fazemos causará determinados, possíveis ou imprevisíveis resultados.


Portanto, a idéia do erro não é nossa ação em si, mas nossa conclusão posterior quando verificamos que estamos diante de um resultado negativo, indesejado e desfavorável.


No momento que concluímos que determinado resultado se mostrou um erro, nossa mente registra todas aquelas providências e ações que nos levaram àquele resultado, e, inconscientemente, registra que aquelas ações são recursos imprestáveis, e que devemos, logo, substituí-las por outras.


Esse é o perigo do erro.


Quando assumimos que erramos, nossa mente traduz aquela atitude como algo que não devemos fazer novamente, e aquele comportamento que poderíamos dispor para resolver outras situações acaba desprezado e deixado de lado.


Quando o homem batia com o martelo no chão duro e resistente, o problema não era o ato de bater o martelo, porque ele parecia muito apto e experiente naquilo, nem era o problema do chão, porque ele definitivamente era feito de um material duro.


O problema era de adequação, o problema era usar a ferramenta inadequada para alcançar aquele objetivo.


Pode ser que, em outra circunstância, bater o martelo seja uma atitude que traga resultados positivos e bem sucedidos. Mas, naquela situação, aquela ferramenta e aquela ação não estavam trazendo os melhores resultados para quem pretendia quebrar uma pedra.


A solução é adequar suas atitudes ao objetivo proposto.


Quem nunca agiu com insegurança e colheu incerteza? Quem nunca tentou a agressividade e conseguiu o desprezo? Quem nunca usou da pressa e ficou com a decepção?


Pode ser, até mesmo, que a insegurança, a agressividade ou a pressa sejam maneiras possíveis de atingir determinados resultados, isso depende do objetivo que nos propomos a realizar.


Mas, quando nós obtemos resultados negativos, diferente daquilo que pretendíamos alcançar e quando tais conseqüências nos causam algum mal-estar, desconforto ou decepção, certamente não foi um erro, mas sim uma idiossincrasia, uma incompatibilidade, um descompasso entre nossas ações e os resultados que buscávamos.


Então, podemos perceber que se agirmos de maneira diferente, com outros recursos e ferramentas (e todos nós temos diversas delas para usar), que se tentarmos mudar o modo de fazer determinadas tarefas, com comportamentos mais adequados, podemos obter respostas muito mais positivas e bem sucedidas, e melhor, podemos, em verdade, atingir os resultados que buscamos.


Assim, nossos erros se transformarão em novas chances, nossas decepções serão oportunidades e nossas frustrações reforçarão nossas esperanças.

A MATEMÁTICA DOS RELACIONAMENTOS (Ensaio sobre o resultado dos relacionamentos segundo a matemática).

A matemática dos relacionamentos.

(Por Michel Cutait)

Na matemática há basicamente quatro operações que são fundamentais para qualquer tipo de resultado que se pretenda alcançar. A soma, a subtração, a multiplicação e a divisão.


Isso não é lá grande novidade porque desde muito pequenos todos nós aprendemos na escola, na vida ou em nossa família.


Mas o que os conceitos da matemática podem trazer de significado para nossas vidas e principalmente para a compreensão dos nossos relacionamentos?


A matemática é uma ferramenta incrível que nos oferece a expressão exacta dos resultados que podemos obter em nossos relacionamentos, ou seja, ela nos demonstra e nos esclarece o que obtemos e como nos beneficiamos quando nos envolvemos com a pessoa que gostamos.


E saber do resultado dos nossos relacionamentos pode nos responder grandes dúvidas, amenizar muitas angústias e conscientizar-nos das consequências específicas do relacionamento que vivenciamos.


Se o relacionamento resultar na subtração, as pessoas envolvidas, e neste caso pode ser apenas uma delas, está sujeita a uma convivência não só diminutiva mas também limitativa.


O relacionamento subtração é aquele em que o resultado é negativo, quer dizer, a conseqüência daquela relação não traz proveito algum, pelo contrário, pelo menos uma das pessoas envolvidas está oferecendo mais que a outra, mais sentimento, tolerância, paciência, amor, carinho ou dedicação.


Na subtração, uma das pessoas perde, e não só perde como não ganha, ela entra naquele relacionamento com tudo que podia oferecer a outra pessoa, e vive um relacionamento parasita, em que tudo dá, tudo permite e tudo oferece.


O perigo na subtração não é a simples doação, o problema está na conseqüência, porque, depois de certo tempo, a pessoa que tudo faz pela outra, e que nada recebe em troca, passa a ser uma pessoa diminuída, limitada e em absoluta desvantagem. Em palavras mais simples, esta pessoa não consegue crescer, desenvolver-se como ser humano e muito menos aproveitar deste relacionamento para se tornar uma pessoa melhor.


No relacionamento divisão, que pode ser tão delicado quanto o do tipo subtração, o resultado do relacionamento tende ao empate, mas, neste caso, tende ao empate nivelado por baixo, quer dizer, o que cada um oferece e recebe tem a mesma ordem de grandeza, e, numa equação assim, o resultado não é positivo, tende ao negativo, porque as pessoas saem do relacionamento com menos do que entraram.


A divisão faz com que a pessoas envolvidas fiquem sujeitas a um equilíbrio mesquinho de equiparações que não permite que nem uma nem outra alcancem níveis mais elevados de qualidade na troca das experiências.


Em números fica mais fácil visualizar, considerando que o número corresponde a uma grandeza daquilo que uma pessoa investe e oferece num relacionamento, se uma pessoa leva 10 e divide esses 10 com outra, ela fica com 5 e a outra pessoa também fica com 5. Mas, essa outra pessoa também tinha 10 ou até mesmo tinha 8, e divide esses 10 ou 8, dando 5 ou 4 para a outra pessoa e ficando com a outra metade.


No final das contas, as duas pessoas ficaram com a mesma quantidade, bem divididas, é verdade, mas ao invés de progredirem, mantiveram o mesmo nível de proveito e de vantagem que se tivessem ficado sozinhas, ou pior que isso, uma das pessoas que tinha mais a oferecer, no caso da divisão, apesar do equilíbrio, ainda perde mais que a outra pessoa.


A divisão é o resultado do equilíbrio, mas, no caso dos relacionamentos, que implicam numa relação dinâmica, a divisão tende ao negativo e não favorece as pessoas envolvidas, pois, apesar de estarem unidas e mantendo um aparente equilíbrio não gozam de uma experiência que pode ser compartilhada de uma forma muito mais positiva, e limitam-se a trocar qualidades, sentimentos e virtudes, sem alcançar um nível mais elevado de vantagens.


Dai vem o relacionamento do tipo soma, que, pela própria palavra, já demonstra que traz um resultado positivo.


Se é para experimentar uma relação menos desvantajosa que seja então o relacionamento do tipo soma.


Neste caso, o resultado da equação é positivo, significa que, ao final, tanto uma pessoa como a outra consegue manter aquilo que tem a oferecer, como também, e o melhor, consegue receber algo a mais, sem perder o que já lhe era próprio.


No relacionamento do tipo soma, uma pessoa que leva consigo muitas qualidades, virtudes e uma série de sentimentos para o relacionamento, consegue receber outras coisas que não lhe eram próprias.


Por exemplo, um relacionamento entre um homem e uma mulher, em que os dois estão oferecendo seu amor e sua cumplicidade. No caso do relacionamento soma, uma pessoa carrega e oferece a outra algo como a compreensão, dedicação, fidelidade, proteção e paciência. E oferece a outra pessoa esse pacote de boas qualidades (e boas não no sentido moral, mas no sentido de vantajosas), e não necessariamente precisa perder ou dividir tudo aquilo, porque ela dá, mas por outro lado também recebe, e neste caso, poderia receber algo como carinho, emoção, intimidade e amor.


Há quem possa sugerir que no caso da soma, se a outra pessoa dá ou oferece aquilo que tem de valioso, não necessariamente vai aproveitar o mesmo tipo de vantagem, pois, a outra pessoa pode não ter nada a oferecer, então, neste caso, a situação pode não ser de soma, mas de subtração ou divisão. No fundo, o que importa para saber que tipo de relacionamento uma pessoa está inserida é observar os resultados que a pessoa obtém dessa relação. Quem define a matemática é o resultado.


Por isso é importante que as pessoas estejam atentas para perceber que resultados elas estão colhendo dos seus relacionamentos, e isso é facilmente perceptível porque, na subtração a sensação que fica é do vazio, da perda, da limitação e do revés. Já na divisão o que se sente é a parcimônia, a mesquinharia, a inércia e a estática. No relacionamento soma, a sensação é mais positiva, resta aquele gosto de vantagem, de progresso, de que a vida está melhorando e que tudo está em movimento para frente.


Mas o que realmente pode ser uma experiência maravilhosa é o relacionamento do tipo multiplicação, e para entender este tipo de relacionamento é preciso perceber que mais que a soma de qualidades, de sentimentos ou de virtudes, o que uma pessoa experimenta na multiplicação é a transformação.


No relacionamento do tipo multiplicação, as pessoas envolvidas oferecem uma a outra, tudo aquilo que podem oferecer, e neste sentido mais parece a soma, entretanto o resultado desse tipo de relacionamento é que se mostra ainda mais proveitoso e vantajoso, porque as pessoas envolvidas têm a oportunidade de experimentar a transformação de suas próprias qualidades, como se fosse um salto não só de quantidade (como na soma) mas também de qualidade. É basicamente isso: na soma o avanço se mostra na quantidade, e na multiplicação, além da quantidade, o verdadeiro avanço ocorre no aspecto qualitativo.


O que uma pessoa recebe faz ela desenvolver novas habilidades, aprimorar as qualidades que já tinha e o melhor, faz ela transcender e superar suas próprias limitações.


Na multiplicação, se uma pessoa oferece amor, a outra transforma esse amor em energia para expandir seus sentimentos, se uma pessoa oferece proteção, a outra faz dessa proteção uma oportunidade para arriscar ainda mais, se uma pessoa oferece fidelidade, a outra é capaz de sentir-se mais segura para dar um passo a mais na intimidade, e assim adiante.


No relacionamento multiplicação o resultado é a transformação, é usufruir de tudo que uma pessoa traz e oferece para o relacionamento e conseguir se tornar um ser humano melhor, ser capaz de desenvolver novas habilidades, de crescer como pessoa e de tornar-se mais apto às vicissitudes da vida.


Pode parecer um pouco óbvio, mas no dia-a-dia dos relacionamentos, as pessoas não percebem ou não conseguem se dar conta de que tipo de relacionamento estão experimentando.


Às vezes, as pessoas sentem que estão se subtraindo, que estão perdendo ou que estão vivendo uma relação parasita, mas não são capazes de identificar que esta situação pode mudar, e para mudar as pessoas precisam tomar consciência, precisam compreender a si mesmas e precisam perceber que estão envolvidas em relacionamentos que podem ser mais ou menos positivos para suas vidas, e para isso, basta prestar atenção no resultado.


Seja o resultado que for, o importante não é simplesmente conseguir e obter vantagens nos relacionamentos, pois há pessoas que não têm esse objetivo e preferem, apesar de tudo, dar sem receber ou se contentam em dividir, entretanto, saber em que tipo de relacionamento a pessoa está vivenciando pode ser muito esclarecedor para que ela possa aceitar aquilo que escolheu, e mais que isso, para que seja capaz de aproveitar ao máximo a opção de vida que preferiu, e, por fim, que possa experimentar sentimentos verdadeiros, livres e positivos, porque, na matemática dos relacionamentos o que menos importa são os números, mas sim os resultados dos sentimentos.