Minha vida em anos. – Ensaio para sempre.
(Por Michel Cutait)
Com 1 ano descobri que no colo dos meus pais nunca sinto frio.
Com 2 perdi o reinado e já não era o único príncipe.
Com 3 anos falava ao ventos todas as sílabas que eu consegui concatenar.
Com 4 completei minha trindade sagrada, meus irmãos que são parte de mim.
Com 5 anos carreguei minha primeira lancheira sozinho sem olhar para trás.
Com 6 corria pela escola como se não acabasse minha energia.
Com 7 anos tudo era brincadeira.
Com 8 ganhei uma bola de futebol.
Com 9 anos ainda corria, corria e só parava quando chegava a noite.
Com 10 ganhei outra bola, só que de tênis.
Com 11 anos meu coração pulsou pela primeira vez.
Com 12 explodiu o calor de um beijo.
Com 13 anos dei meu único soco e levei outro.
Com 14 tudo era esporte.
Com 15 anos dancei valsa, dei baile e ouvi música alta.
Com 16 anos conheci os sentimentos mais puros e ingênuos.
Com 17 explodi de alegria quando descobri a chance de viver sozinho.
Com 18 anos dirigi todos os quilômetros que ainda não consegui alcançar.
Com 19 consegui meu primeiro trabalho.
Com 20 anos senti-me sozinho e percebi que sozinho podia seguir em frente.
Com 21 queria romper meus limites.
Com 22 anos saí pelo mundo, desaforado, livre e esperançoso.
Com 23 tinha toda minha força concentrada no trabalho, suava, sangrava e persistia.
Com 24 anos perdi o brio nos sonhos frustrados.
Com 25 levantei a cabeça com humildade e recomecei a engatinhar.
Com 26 anos ainda não compreendia que o caminho é de pedra, mas não perdia a fé.
Com 27 reagi às minhas limitações com a tenacidade que encontrei em minha alma.
Com 28 anos desfrutei, senti, vivi e descobri que posso ser mais do que eu sou.
Com 29 olhava para o futuro e enxergava ali perto a realização dos meus sonhos de infância.
Com 30 anos completei um ciclo esperado há tantos anos, viajei pelo mundo, comprei minha casa, fiz-me como profissional e me tornei um homem totalmente independente.
Com 31 experimentei a dor da minha própria hiperatividade, e minha saúde não aguentou, mas me fez acertar o ritmo na marra.
Com 32 acreditei que meus sonhos ainda estavam mais longe, larguei tudo e parti para uma aventura comigo mesmo.
Com 33 silenciei na minha própria solidão, e descobri que a vida tem mais sentido perto das pessoas que a gente ama.
Com 34 recomecei mais uma vez e fui presenteado com um amor verdadeiro.
Com 35, hoje, lembro do que passou e reconheço em mim um lutador, fecho os olhos e finco os pés no presente e abro meu coração para acreditar que a vida pode ser ainda melhor.
Com 36 anos descobri que arriscar é bom e que construir é melhor ainda.
Sou o que eu posso ser, vou para onde posso ir, e sinto tudo que me permito sentir.
Agradeço a você, agradeço à minha família, agradeço à minha noiva, agradeço ao mundo, agradeço a Deus, porque pertenço a tudo.