O HOMEM E O MARTELO (Ensaio sobre o erro)

"O homem e o martelo".

(Por Michel Cutait).


O erro sempre é um problema para as pessoas. O que não faltam são conselhos para tentar decifrar, esclarecer, justificar e desculpar seus motivos. Há gente pronta, em qualquer lugar, para explicar suas razões e há infinitas maneiras de descobrirmos, por nós mesmos, que somos capazes de errar.


Portanto, não há como evitar o erro, mas há como compreender que o erro nem sempre é uma fatalidade, e mais, que podemos - se quisermos – transformar o erro em possibilidades.


A história do homem e do martelo pode ajudar a mudarmos nossos comportamentos para obtermos diferentes resultados em nossas vidas. E o melhor, é baseada numa história real.


Em certo dia, num lugar qualquer, encontrei um homem que estava tentando, a muito custo, quebrar uma lajota do chão ou um tipo de piso de concreto qualquer.


Ele fazia tanta força e sacrifício, quanto eram sofridas suas mãos e como eram torrenciais suas gotas de suor.


E batia e batia e batia no chão com um martelo e um picão, um tipo de ferramenta de ferro usada para quebrar pedra, parecido com um prego só que maior, e continuava batendo e batendo, embaixo de um sol escaldante.


Mas o pobre homem não conseguia êxito na sua empreitada, porque apesar de todo o esforço que ele fazia, o piso parecia nem sentir e continuava intocável e inteiro.


Chegando perto, notei que ao lado dele, jogada no chão, tinha uma picareta, uma ferramenta bem maior e mais robusta, feita de um cabo de madeira com duas pontas de ferro, parecida com o formato de um “T”, enfim, uma picadeira como costumamos ver nas construções.


Aproximei-me do homem, cumprimentei, e intrometido, apontando para a picareta, perguntei a ele: “O Sr. não acha que com aquela picadeira é mais fácil?”


Ele parou com o trabalho que fazia, secou o suor da testa, olhou para a ferramenta e bradou: “Sim, com a picadeira é mais fácil...” – e sem hesitar por um instante, desferiu outra martelada e concluiu: “Mas assim está difícil!”.


Essa história é tão simples como é recorrente em nossas vidas.


Nem sempre é fácil e rápido percebermos que estamos agindo mal, ou que estamos nos esforçando demais para um resultado pequeno, ou que, simplesmente, não estamos atentos em avaliar que podemos mudar nossas ações e nossos comportamentos, se queremos buscar outros resultados.


Por causa disso, normalmente, achamos que estamos errando, mas, praticamente, em todas essas vezes nossos erros não são simplesmente erros, são apenas ações equivocadas, reticentes, repetitivas e inadequadas.


Atingir os resultados e os objetivos que planejamos e desejamos pode ser uma tarefa difícil e penosa, mas nós podemos agir de várias formas para amenizar as dificuldades e impedir que nossos erros pareçam (e sejam) nossos maiores obstáculos.


Primeiro, podemos assumir que os erros não existem, mas sim que existem resultados, nem certos nem errados, tão somente resultados.


O que fazemos, da forma, do jeito, naquele momento ou naquela circunstancia não é um erro, é simplesmente uma ação concreta.


O erro não existe na ação, o erro só aparece no resultado da ação, ou melhor, o erro é o descompasso entre a ação que praticamos e o resultado que pretendíamos obter com aquela ação.


Não somos capazes de saber se o que estamos fazendo será ou não um erro ou uma atitude errada, o que podemos saber é que o que fazemos causará determinados, possíveis ou imprevisíveis resultados.


Portanto, a idéia do erro não é nossa ação em si, mas nossa conclusão posterior quando verificamos que estamos diante de um resultado negativo, indesejado e desfavorável.


No momento que concluímos que determinado resultado se mostrou um erro, nossa mente registra todas aquelas providências e ações que nos levaram àquele resultado, e, inconscientemente, registra que aquelas ações são recursos imprestáveis, e que devemos, logo, substituí-las por outras.


Esse é o perigo do erro.


Quando assumimos que erramos, nossa mente traduz aquela atitude como algo que não devemos fazer novamente, e aquele comportamento que poderíamos dispor para resolver outras situações acaba desprezado e deixado de lado.


Quando o homem batia com o martelo no chão duro e resistente, o problema não era o ato de bater o martelo, porque ele parecia muito apto e experiente naquilo, nem era o problema do chão, porque ele definitivamente era feito de um material duro.


O problema era de adequação, o problema era usar a ferramenta inadequada para alcançar aquele objetivo.


Pode ser que, em outra circunstância, bater o martelo seja uma atitude que traga resultados positivos e bem sucedidos. Mas, naquela situação, aquela ferramenta e aquela ação não estavam trazendo os melhores resultados para quem pretendia quebrar uma pedra.


A solução é adequar suas atitudes ao objetivo proposto.


Quem nunca agiu com insegurança e colheu incerteza? Quem nunca tentou a agressividade e conseguiu o desprezo? Quem nunca usou da pressa e ficou com a decepção?


Pode ser, até mesmo, que a insegurança, a agressividade ou a pressa sejam maneiras possíveis de atingir determinados resultados, isso depende do objetivo que nos propomos a realizar.


Mas, quando nós obtemos resultados negativos, diferente daquilo que pretendíamos alcançar e quando tais conseqüências nos causam algum mal-estar, desconforto ou decepção, certamente não foi um erro, mas sim uma idiossincrasia, uma incompatibilidade, um descompasso entre nossas ações e os resultados que buscávamos.


Então, podemos perceber que se agirmos de maneira diferente, com outros recursos e ferramentas (e todos nós temos diversas delas para usar), que se tentarmos mudar o modo de fazer determinadas tarefas, com comportamentos mais adequados, podemos obter respostas muito mais positivas e bem sucedidas, e melhor, podemos, em verdade, atingir os resultados que buscamos.


Assim, nossos erros se transformarão em novas chances, nossas decepções serão oportunidades e nossas frustrações reforçarão nossas esperanças.

3 comentários:

F. disse...

Meeestre escreve mais escreve mais!!!

Guto e Josi disse...

Oieee, adorei!
Voltarei seeempre!
bjos
Josi

Fatima Repanas disse...

Obrigada Senhor por me dar a chance de errar, de acertar e de perceber que em grandes erros, residem os maiores acertos!!