A MATEMÁTICA DOS RELACIONAMENTOS (Ensaio sobre o resultado dos relacionamentos segundo a matemática).

A matemática dos relacionamentos.

(Por Michel Cutait)

Na matemática há basicamente quatro operações que são fundamentais para qualquer tipo de resultado que se pretenda alcançar. A soma, a subtração, a multiplicação e a divisão.


Isso não é lá grande novidade porque desde muito pequenos todos nós aprendemos na escola, na vida ou em nossa família.


Mas o que os conceitos da matemática podem trazer de significado para nossas vidas e principalmente para a compreensão dos nossos relacionamentos?


A matemática é uma ferramenta incrível que nos oferece a expressão exacta dos resultados que podemos obter em nossos relacionamentos, ou seja, ela nos demonstra e nos esclarece o que obtemos e como nos beneficiamos quando nos envolvemos com a pessoa que gostamos.


E saber do resultado dos nossos relacionamentos pode nos responder grandes dúvidas, amenizar muitas angústias e conscientizar-nos das consequências específicas do relacionamento que vivenciamos.


Se o relacionamento resultar na subtração, as pessoas envolvidas, e neste caso pode ser apenas uma delas, está sujeita a uma convivência não só diminutiva mas também limitativa.


O relacionamento subtração é aquele em que o resultado é negativo, quer dizer, a conseqüência daquela relação não traz proveito algum, pelo contrário, pelo menos uma das pessoas envolvidas está oferecendo mais que a outra, mais sentimento, tolerância, paciência, amor, carinho ou dedicação.


Na subtração, uma das pessoas perde, e não só perde como não ganha, ela entra naquele relacionamento com tudo que podia oferecer a outra pessoa, e vive um relacionamento parasita, em que tudo dá, tudo permite e tudo oferece.


O perigo na subtração não é a simples doação, o problema está na conseqüência, porque, depois de certo tempo, a pessoa que tudo faz pela outra, e que nada recebe em troca, passa a ser uma pessoa diminuída, limitada e em absoluta desvantagem. Em palavras mais simples, esta pessoa não consegue crescer, desenvolver-se como ser humano e muito menos aproveitar deste relacionamento para se tornar uma pessoa melhor.


No relacionamento divisão, que pode ser tão delicado quanto o do tipo subtração, o resultado do relacionamento tende ao empate, mas, neste caso, tende ao empate nivelado por baixo, quer dizer, o que cada um oferece e recebe tem a mesma ordem de grandeza, e, numa equação assim, o resultado não é positivo, tende ao negativo, porque as pessoas saem do relacionamento com menos do que entraram.


A divisão faz com que a pessoas envolvidas fiquem sujeitas a um equilíbrio mesquinho de equiparações que não permite que nem uma nem outra alcancem níveis mais elevados de qualidade na troca das experiências.


Em números fica mais fácil visualizar, considerando que o número corresponde a uma grandeza daquilo que uma pessoa investe e oferece num relacionamento, se uma pessoa leva 10 e divide esses 10 com outra, ela fica com 5 e a outra pessoa também fica com 5. Mas, essa outra pessoa também tinha 10 ou até mesmo tinha 8, e divide esses 10 ou 8, dando 5 ou 4 para a outra pessoa e ficando com a outra metade.


No final das contas, as duas pessoas ficaram com a mesma quantidade, bem divididas, é verdade, mas ao invés de progredirem, mantiveram o mesmo nível de proveito e de vantagem que se tivessem ficado sozinhas, ou pior que isso, uma das pessoas que tinha mais a oferecer, no caso da divisão, apesar do equilíbrio, ainda perde mais que a outra pessoa.


A divisão é o resultado do equilíbrio, mas, no caso dos relacionamentos, que implicam numa relação dinâmica, a divisão tende ao negativo e não favorece as pessoas envolvidas, pois, apesar de estarem unidas e mantendo um aparente equilíbrio não gozam de uma experiência que pode ser compartilhada de uma forma muito mais positiva, e limitam-se a trocar qualidades, sentimentos e virtudes, sem alcançar um nível mais elevado de vantagens.


Dai vem o relacionamento do tipo soma, que, pela própria palavra, já demonstra que traz um resultado positivo.


Se é para experimentar uma relação menos desvantajosa que seja então o relacionamento do tipo soma.


Neste caso, o resultado da equação é positivo, significa que, ao final, tanto uma pessoa como a outra consegue manter aquilo que tem a oferecer, como também, e o melhor, consegue receber algo a mais, sem perder o que já lhe era próprio.


No relacionamento do tipo soma, uma pessoa que leva consigo muitas qualidades, virtudes e uma série de sentimentos para o relacionamento, consegue receber outras coisas que não lhe eram próprias.


Por exemplo, um relacionamento entre um homem e uma mulher, em que os dois estão oferecendo seu amor e sua cumplicidade. No caso do relacionamento soma, uma pessoa carrega e oferece a outra algo como a compreensão, dedicação, fidelidade, proteção e paciência. E oferece a outra pessoa esse pacote de boas qualidades (e boas não no sentido moral, mas no sentido de vantajosas), e não necessariamente precisa perder ou dividir tudo aquilo, porque ela dá, mas por outro lado também recebe, e neste caso, poderia receber algo como carinho, emoção, intimidade e amor.


Há quem possa sugerir que no caso da soma, se a outra pessoa dá ou oferece aquilo que tem de valioso, não necessariamente vai aproveitar o mesmo tipo de vantagem, pois, a outra pessoa pode não ter nada a oferecer, então, neste caso, a situação pode não ser de soma, mas de subtração ou divisão. No fundo, o que importa para saber que tipo de relacionamento uma pessoa está inserida é observar os resultados que a pessoa obtém dessa relação. Quem define a matemática é o resultado.


Por isso é importante que as pessoas estejam atentas para perceber que resultados elas estão colhendo dos seus relacionamentos, e isso é facilmente perceptível porque, na subtração a sensação que fica é do vazio, da perda, da limitação e do revés. Já na divisão o que se sente é a parcimônia, a mesquinharia, a inércia e a estática. No relacionamento soma, a sensação é mais positiva, resta aquele gosto de vantagem, de progresso, de que a vida está melhorando e que tudo está em movimento para frente.


Mas o que realmente pode ser uma experiência maravilhosa é o relacionamento do tipo multiplicação, e para entender este tipo de relacionamento é preciso perceber que mais que a soma de qualidades, de sentimentos ou de virtudes, o que uma pessoa experimenta na multiplicação é a transformação.


No relacionamento do tipo multiplicação, as pessoas envolvidas oferecem uma a outra, tudo aquilo que podem oferecer, e neste sentido mais parece a soma, entretanto o resultado desse tipo de relacionamento é que se mostra ainda mais proveitoso e vantajoso, porque as pessoas envolvidas têm a oportunidade de experimentar a transformação de suas próprias qualidades, como se fosse um salto não só de quantidade (como na soma) mas também de qualidade. É basicamente isso: na soma o avanço se mostra na quantidade, e na multiplicação, além da quantidade, o verdadeiro avanço ocorre no aspecto qualitativo.


O que uma pessoa recebe faz ela desenvolver novas habilidades, aprimorar as qualidades que já tinha e o melhor, faz ela transcender e superar suas próprias limitações.


Na multiplicação, se uma pessoa oferece amor, a outra transforma esse amor em energia para expandir seus sentimentos, se uma pessoa oferece proteção, a outra faz dessa proteção uma oportunidade para arriscar ainda mais, se uma pessoa oferece fidelidade, a outra é capaz de sentir-se mais segura para dar um passo a mais na intimidade, e assim adiante.


No relacionamento multiplicação o resultado é a transformação, é usufruir de tudo que uma pessoa traz e oferece para o relacionamento e conseguir se tornar um ser humano melhor, ser capaz de desenvolver novas habilidades, de crescer como pessoa e de tornar-se mais apto às vicissitudes da vida.


Pode parecer um pouco óbvio, mas no dia-a-dia dos relacionamentos, as pessoas não percebem ou não conseguem se dar conta de que tipo de relacionamento estão experimentando.


Às vezes, as pessoas sentem que estão se subtraindo, que estão perdendo ou que estão vivendo uma relação parasita, mas não são capazes de identificar que esta situação pode mudar, e para mudar as pessoas precisam tomar consciência, precisam compreender a si mesmas e precisam perceber que estão envolvidas em relacionamentos que podem ser mais ou menos positivos para suas vidas, e para isso, basta prestar atenção no resultado.


Seja o resultado que for, o importante não é simplesmente conseguir e obter vantagens nos relacionamentos, pois há pessoas que não têm esse objetivo e preferem, apesar de tudo, dar sem receber ou se contentam em dividir, entretanto, saber em que tipo de relacionamento a pessoa está vivenciando pode ser muito esclarecedor para que ela possa aceitar aquilo que escolheu, e mais que isso, para que seja capaz de aproveitar ao máximo a opção de vida que preferiu, e, por fim, que possa experimentar sentimentos verdadeiros, livres e positivos, porque, na matemática dos relacionamentos o que menos importa são os números, mas sim os resultados dos sentimentos.

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